Refluxo x Alimentação by Nutricionista Regina!!
por brancaesportes - domingo, 22 de julho de 2012
REFLUXO X ALIMENTAÇÃO
Os alimentos mastigados na boca passam pela faringe, pelo esôfago (um tubo que desce pelo tórax na frente da coluna vertebral) e caem no estômago situado no abdômen. Entre o esôfago e o estômago, existe uma válvula que se abre para dar passagem aos alimentos e se fecha imediatamente para impedir que o suco gástrico do estômago penetre no esôfago, pois a mucosa que o reveste o esôfago não está preparada para receber uma substância tão irritante .
Ao mesmo tempo no interior do estômago há um jogo de pressão maior que a do esôfago daí a tendência de o conteúdo estomacal subir em direção do esôfago. Isso não acontece porque a natureza lança mão de outros mecanismos de pressão que impedem tal migração. O principal deles é o esfíncter inferior do esôfago que se situa entre o estômago e o esôfago, uma área de alta pressão. Ele se chama esfíncter funcional e atua como uma verdadeira válvula que não deixa o material do estômago refluir para o esôfago.
Quando existe alguma fraqueza nessa região provocada por alterações funcionais do próprio músculo ou porque o diafragma (músculo que separa o tórax do abdômen) não consegue conter as estruturas que estão abaixo dele, o estômago sobe e forma uma protrusão chamada hérnia de hiato (figura abaixo).
Algumas hérnias de hiato são congênitas. A maioria, entretanto, se desenvolve ao longo da vida, à medida que a abertura do hiato vai se alargando, geralmente como resultado de gravidez, a obesidade é um fator de risco importante para o refluxo. Indivíduos obesos com pressão abdominal aumentada, que fazem refeições volumosas e se deitam em seguida, estão mais sujeitos a episódios desse tipo e muitos, quando emagrecem, deixam de apresentar o problema. O uso de
roupas apertadas também facilitam o refluxo gastroesofágico por aumentar a pressão intra-abdominal. Além disso, excesso de tosse, vômitos, força ao evacuar ou súbito esforço físico também podem causar alargamento do hiato provocando a hérnia de hiato que propicia o refluxo do conteúdo estomacal para o esôfago.
A doença do refluxo se manifesta de forma extremamente ampla. São sintomas próprios do refluxo no esôfago a queimação e a dor torácica, uma dor tão intensa que às vezes simula a dor da angina, do infarto ou da isquemia no coração.
Quando atinge a laringe, o refluxo pode provocar inflamação acompanhada de tosse seca. Nestas condições os indivíduos experimentam mais desconfortos após as refeições pesadas e quando estão deitados ou curvados sobre si mesmos. Em pé, a gravidade ajuda a impedir a migração do conteúdo gástrico para o esôfago.
Eventualmente, indivíduos com laringite de refluxo que têm tosse podem ter o esôfago normal, porque o ácido passa sem machucá-lo muito. O único sintoma é mesmo a tosse e por isso eles acabam procurando um otorrinolaringologista ou um pneumologista que reconhecem as alterações sugestivas de refluxo. Se o refluxo gastroesofágico for para dentro dos pulmões pode causar doenças pulmonares como pneumonias, bronquites e asma. Muitos pacientes jovens com asma desencadeada pelo refluxo melhoram muito do quadro asmático quando recebem tratamento para o refluxo.
A dieta tem um papel fundamental no tratamento da hérnia de hiato. Independentemente se a pessoa faz ou não tratamento medicamentoso. A mudança de hábitos alimentares é importante para o sucesso do tratamento. Um ganho excessivo de peso, o consumo de alimentos gordurosos como embutidos, carnes gordas… ; o consumo de alimentos ácidos que irritam a mucosa do estômago como picles, suco de tomate, frutas cítricas… e o consumo de alimentos ricos em cafeína como chocolates, café, entre outros, podem agravar o problema.
Com relação ao peso excessivo, sabe-se que aumenta a pressão intra-abdominal e faz piorar o refluxo. Uma redução das gorduras e da ingestão total de calorias pode reduzir os sintomas, bem como a perda de peso gradual para aqueles que estiverem acima do peso. É desejável uma perda de peso de 0,5 quilo por semana ou de 2 quilos por mês. Exercícios regulares também são importantes para manter o peso corporal ideal.
Os alimentos ricos em gorduras comumente fazem piorar o refluxo e representam um problema particular quando comidos rapidamente e juntamente com bebidas carbonatadas de cola, álcool ou café. As comidas gordurosas ficam mais tempo no estômago que as outras e também podem causar indigestão. As recomendações para a ingestão diária de gorduras variam: uma diretriz é de 45 g para homens e de 30g para mulheres. Para se ter uma idéia, um hambúrguer típico com um pacote grande de batatas fritas fornece 60g de gordura.
Os indivíduos com hérnia de hiato devem evitar bebidas gasosas, que podem aumentar o desconforto. Depois de comer, é aconselhável não se deitar ou abaixar durante pelo menos 2 horas , pois isso pode provocar refluxo. Recomenda-se também que se evite substâncias que relaxam o diafragma, como o álcool.
Alimentos que irritam o estômago ou provocam indigestão devem ser eliminados. Dentre os mais prejudiciais estão as especiarias, as frutas cítricas, o suco de tomate, o picles e o vinagre. O café e o cigarro aumentam a acidez estomacal. O chocolate e a hortelã tendem a relaxar o esfíncter do hiato.
Alimentos ricos em fibras, como cereais e pães integrais, vegetais e frutas frescas podem ser grandes aliados das pessoas com hérnia hiatal. Esses alimentos ajudam no bom funcionamento do intestino e impede a prisão de ventre, um problema que agrava a hérnia por causa da dilatação do abdômen.
Por:Regina Celia da Silva -Nutricionista CRN 6324
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